11/01/2021
A CIDADANIA EXIGE UM TRANSPORTE PÚBLICO DIGNO, ECONÔMICO E AMBIENTALMENTE SUSTENTÁVEL
A ANTP - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTES PÚBLICOS, ENTIDADE QUE HÁ 43 ANOS TEM POR OBJETIVO A DEFESA PERMANENTE DO TRANSPORTE PÚBLICO DE QUALIDADE E CIDADES COM QUALIDADE DE VIDA, VEM A PÚBLICO MANIFESTAR SUA PREOCUPAÇÃO COM A POSSIBILIDADE DE COLAPSO DO ATUAL SISTEMA NO BRASIL
A pandemia COVID-19 é umas das maiores causas, mas não a única, da gravidade dos problemas em que mergulhou o transporte público coletivo. O que é incontestável é o grau de letalidade da situação atual, que não pode ser relevado, tão pouco ignorado.
Ao contrário de outras crises, a atual é definitiva: coloca não só as bases desse sistema em xeque, como desfia um conjunto de constatações e incertezas, que exigem de todo o setor e, mais ainda da própria sociedade, um forte posicionamento de enfrentamento.
Tudo pode ser resumido numa única questão, que precisa ser respondida com clareza e celeridade: a cidade precisa de sistemas de transporte público coletivo?
Diante do quadro vivido não é mais possível hesitar e, a depender das respostas que tivermos, as cidades brasileiras terão que assumir (e conviver) com as consequências que advirão das medidas tomadas ou ignoradas.
Antes de propor saídas para a crise, portanto, é preciso que toda a sociedade e as partes interessadas tenham consciência do que significa destruir um sistema que hoje funciona. Com problemas, erros, desvios, mas funciona. E bem melhor do que há algumas décadas.
A própria história já demonstrou, não apenas aqui, mas em várias cidades do planeta, que não há vazios quando se trata de serviços públicos essenciais. A ausência de polícia produz a insegurança e soluções não convencionais. A falta de transporte leva as pessoas, cada qual com sua capacidade e condição econômica, a buscar diferentes formas de deslocamento.
Em condições de crise econômica profunda, mais do que amplificar problemas sociais, a ausência de transporte público enseja o surgimento do transporte possível, o que produz enormes espaços para ações desregradas e sem qualquer normatização. Em resumo, traz graves problemas econômicos ao desarticular a estrutura de produção local, distanciando a oferta de mão de obra dos locais de trabalho.
Ao aclarar as consequências, é preciso vocalizar seus efeitos. É nesse cenário que as cidades brasileiras querem adentrar? É com eles que decidirão conviver, a partir de agora?
É preciso ponderar que transporte é vetor de desenvolvimento econômico, e que sua desqualificação implica diretamente em destruição de fortes bases em que se assenta o mercado de trabalho, além de impor sérias restrições à qualidade e à atratividade da vida urbana.
Logo, mais do que definir saídas para crise definitiva, é preciso envolver a sociedade não só para superar o presente momento, mas, sobretudo, para entender definitivamente que é inevitável rever toda a prestação de serviço de Transporte Público Coletivo.