05/11/2025
"Andrius". Era bem assim,
que ele me chamava.
"E aí, cê tá ca peida?"
Toda hora ele me perguntava.
Realmente é muito difícil,
a chegada deste dia.
Não tinha como não falar dele,
não era intenção a poesia.
Nos dois últimos anos,
a gente se via quase todo dia.
Ficamos muito próximos,
eram consultas e fisioterapia.
Cada vez que algo se agravava,
me falava quando ia lhe buscar.
Mas ele não reclamava,
sempre dizia "Vou melhorar".
E se eu me queixava de algo,
ele dizia pra eu não reclamar.
Era como se me dissesse
"olha aqui, quer trocar?"
É, você me ensinou,
a ver um outro lado.
Em tantas consultas e hospitais
nunca se mostrou desanimado.
Era uma força de vontade,
de quem se via se recuperando.
Eu ouvia todos os seus planos,
"daqui a pouco estou andando".
"E aí Andrius, tá tudo bem?"
"Como estão as viagens"
Estivemos próximos por 2 anos,
mas tivemos várias passagens.
Onde íamos, ele fazia graça,
era assim na fisioterapia.
Era assim no mercado,
toda recepcionista ria.
A vida estava difícil,
mas ele sempre fazia piada.
Foi bom o tempo que passamos
sua presença bem humorada.
E então chegamos a despedida,
mas isto não é um fim.
Deus te deu um descanso,
da 1 abraço no Catengo por mim.
Com saudades;
"Andrius".