02/07/2020
Manifesto da ‘220 bike entregas’ em apoio aos entregadores grevistas -
1 de Julho de 2020
No dia 1 de Julho de 2020 está deflagrada paralisação/greve dos entregadores de app’s
A realidade que nos cerca pode ser por vezes de profunda reflexão, apesar do desgosto. Quando analisamos o mercado dos app’s de entrega nos surgem pensamentos diversos e gostaria de compartilhar alguns.
Somos entregadores.
Uma das profissões ignoradas e jogada às traças no Brasil. Quem estudou a situação reconhece.
Mas não se esqueçam.
Você quer que uma mensagem chegue a algum lugar? Um entregador.
Você precisa de comida de algum lugar? Um entregador.
Você precisa de uma articulação nacional para barrar a precarização do trabalho? Algum entregador em algum momento... Entregou os panfletos, os bótons e as bandeiras no seu partido.
São muitas as classes de entregadores - caminhoneiros, ciclistas, motociclistas. De aplicativos à autônomos…
E também…
São muitas as denúncias de boicote a nossa classe.
É hora de falar dos aplicativos.
Em algum momento alguém teve a “brilhante” ideia de intervir na relação comercial entre "restaurante e entregador". E além de se colocar no meio dessa relação, cobra por isso. Os aplicativos são exatamente esse “interventor”.
Por que? Por que alguém ganharia dinheiro por fazer o que nós já fazíamos?
Os aplicativos...
Oferecendo segurança e conforto conquistaram a sociedade. Nada melhor do que um celular - não precisa interagir. Não precisa de contato humano. É um clique e alguém toca sua campainha com o seu desejo em mãos.
“Como será que ele conseguiu chegar aqui? Tem a COVID-19 lá fora! O que será que aconteceu no caminho? Por que tão rápido, ou por que tão demorado?”
Com essas reflexões chegamos a um caminho sem voltas. Os aplicativos nos fazem esquecer...Nos fazem esquecer de sermos humanos e nos relacionar com o outro.
Precisamos de reconhecimento. Vínculos. Precisamos sair da informalidade. Precisamos ter uma vida digna.
Com isso... A partir de denúncias descobrimos que um entregador ao participar de movimentos e articulações políticas pode ser bloqueado pelos aplicativos e assim não pode mais trabalhar por um período determinado ou até pra sempre…
Isso foi o fim. Já não bastava ter reconhecimento e vínculo, agora estamos sendo boicotados por nos organizar.
Encurralados.
Os aplicativos dominaram o mercado. Ou você trabalha para ele, ou você trabalha para ele. O novo Deus mensageiro não é Hermes ressignificado...
É um celular que imprime na porta da sua casa o seu mais novo e último desejo.
O que estamos pedindo?
- Melhores condições de trabalho
*Aumento do valor por KM
*Aumento do valor mínimo
*Fim dos bloqueios por meio dos aplicativos
*Fim da pontuação e restrição de local pela RAPPI
*Seguro de roubo e acidente
*Auxílio-pandemia
*Auxílio Lanche
*Auxílio oficina e borracharia
*EPI's (Equipamentos de proteção individuais)
-Você quer sentir na pele o que é ser um entregador?
*Falta de vínculo trabalhista - informalidade.
*Trabalhar 12 horas por dia sem ter acesso a condições mínimas de existência como alimentação e banheiro. O famoso "Entregar comida com fome". Já pensou sobre isso?
*Estar sujeito ao clima - dia e noite, sol e lua, vento e abafado, úmido e seco, quente e frio.
Não tem “dia ruim” para os entregadores.
Se eu não trabalho para ir ao médico por conta de uma gripe eu não ganho. Ganho apenas se trabalho.
Precarização do trabalho x autonomia econômica
A precarização do mercado feita pela política social e econômica deu aos “apps de entrega” o mercado de bandeja e retirou nossa autonomia nas negociações e articulações, antes feitas em cooperativas ou de forma autônoma.
Nossa luta é pela volta dos vínculos diretos.
Ligue para o restaurante e pague a entrega na íntegra, sem taxa de aplicativo envolvida. Quer cupom de desconto? Sabe da onde vem esse dinheiro que cobre os custos do seu cupom?
Do bolso do restaurante e do entregador - somadas as taxas abusivas que enriquecem as pessoas que não cozinham, não entregam… Os aplicativos enriquecem quem nada faz.
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Pedimos apoio da população
Em primeiro lugar pedimos o reconhecimento de que somos um trabalho essencial não só na política e na lei, mas na vida. Somos tratados como sub humanos, isso quando não nos olham como animais indomáveis em cima de uma moto ou bicicleta.
Estamos sem direitos à quarentena e sujeitos a informalidade. Nossa essencialidade só surgiu quando não se podia mais sair de casa. Nós somos imortais ao COVID-19? “Você não pode ir a rua, mas o irmãozinho ali DEVE ir a rua para você ficar em casa.”
Como a população pode ajudar? Aderindo a paralisação e não fazendo o pedido pelos aplicativos, avalie-os negativamente e apoie a paralisação.
Junte-se a luta pelos direitos fundamentais do trabalho dos entregadores. Lembre-se: dia 1 de JULHO, APOIE OS ENTREGADORES!